
A Igreja se aproxima da Solenidade de Pentecostes, celebrada cinquenta dias após a Páscoa, recordando um dos acontecimentos mais importantes da fé cristã: a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos reunidos no Cenáculo, em Jerusalém. Apesar de sua grande importância para a vida da Igreja, muitos católicos ainda desconhecem o verdadeiro significado da celebração e sua relação direta com a própria missão cristã.
Segundo o pároco da Paróquia São Marcos, padre Francisco de Assis, a origem de Pentecostes é anterior ao cristianismo e remonta à tradição do povo judeu.
“Pentecostes é uma celebração que já existia entre os judeus desde o Antigo Testamento. A palavra vem do grego pentekoste e significa quinquagésimo dia depois da Páscoa. Era uma festa do judaísmo celebrada 50 dias após a saída do povo judeu do Egito. Depois da travessia do Mar Vermelho, o povo estava aos pés do Monte Sinai, onde recebeu as Tábuas da Lei, os Dez Mandamentos. Então, o Pentecostes judaico celebrava a entrega da Lei de Deus ao povo”, explica.
O Pentecostes cristão e a presença viva de Cristo
O sacerdote ressalta, porém, que o Pentecostes cristão possui um sentido novo e profundamente ligado à Ressurreição de Cristo.
“Mas o Pentecostes que celebramos na Igreja tem outro significado. O Pentecostes cristão é a consumação da experiência pascal. Um dos pontos mais altos da Páscoa acontece exatamente no dom do Espírito Santo. É o envio do Espírito Santo que confirma e sacramenta que o Senhor ressuscitou, que está vivo e presente no meio de nós. Por isso, Pentecostes não é apenas uma recordação simbólica. É a manifestação concreta de que Cristo continua vivo agindo na Igreja”, afirma.
O episódio é narrado no capítulo 2 do livro de Atos dos Apóstolos. Os discípulos estavam reunidos no Cenáculo, ainda tomados pelo medo após a morte de Jesus.
“Os apóstolos estavam reunidos no Cenáculo com as portas fechadas, por medo. E ali recebem a efusão do Espírito Santo em vista de uma nova missão. A partir daquele momento, eles perdem a timidez, perdem o medo e saem para anunciar o Evangelho. Passam a proclamar sem receio que Jesus ressuscitou e trouxe a salvação. E fazem isso pagando muitas vezes com perseguições, sofrimentos e até com a própria vida. O Espírito Santo transforma homens assustados em testemunhas corajosas”, destaca o padre Francisco.
A nova lei escrita no coração dos cristãos
Outro aspecto ressaltado pelo sacerdote é a profunda ligação entre os acontecimentos do Monte Sinai, no Antigo Testamento, e o Pentecostes cristão.
“Existe uma relação muito bonita entre o Pentecostes judaico e o Pentecostes cristão. Ao ler o texto do Êxodo, sobre a entrega das Tábuas da Lei, e depois o relato de Pentecostes nos Atos dos Apóstolos, vemos muitos elementos semelhantes. Lá no Sinai aparecem o vento, o trovão, o tremor, os sinais da manifestação de Deus. E no Pentecostes cristão também aparecem o vento impetuoso, o barulho, as línguas de fogo. É como se Deus estivesse agora entregando não mais uma lei escrita em tábuas de pedra, mas a nova lei dos cristãos, que é o próprio Espírito Santo agindo no coração das pessoas”, explica.
O fogo do Espírito Santo que continua vivo na Igreja
Para o pároco, a ação do Espírito Santo não ficou restrita ao passado, mas continua viva e conduzindo a Igreja nos dias atuais.
“O Espírito Santo continua protagonista da vida e da missão da Igreja. Basta olhar para a história e perceber que, mais de dois mil anos depois, a Igreja continua viva, anunciando o Evangelho, chegando aos povos, criando novas formas de evangelização e respondendo aos desafios de cada tempo. O Espírito é movimento. A própria palavra espírito remete ao sopro, ao vento. E tudo aquilo que é vivo se movimenta. A Igreja permanece fiel à sua essência, à doutrina, à Palavra de Deus, mas ao mesmo tempo encontra caminhos novos para evangelizar cada geração”, afirma.
Segundo ele, essa ação do Espírito Santo pode ser percebida nas pequenas e grandes realidades da vida da Igreja.
“Quando olhamos para uma paróquia, vemos tantas pastorais, movimentos, missões, pessoas servindo, famílias evangelizando, iniciativas surgindo. Tudo isso é ação do Espírito Santo. Os desafios mudam com o tempo, mas Deus continua conduzindo sua Igreja e sustentando sua missão”, ressalta.
Como viver espiritualmente Pentecostes
Na Paróquia São Marcos, a preparação para Pentecostes já mobiliza a comunidade com momentos de oração e espiritualidade, convidando os fiéis a aprofundarem a compreensão sobre a ação do Espírito Santo na história da salvação e também na vida cotidiana.
A celebração também inclui o acendimento das sete velas da Menorá, cada uma representando um dos dons do Espírito Santo: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus.
Para completar, padre Francisco convida os fiéis a viverem estes dias como um verdadeiro tempo de oração e abertura ao Espírito Santo.
“Nestes dias, a Igreja inteira clama pela renovação do Espírito Santo. É importante que os cristãos rezem, peçam, invoquem: ‘Vem, Espírito Santo’. Que haja uma nova efusão do Espírito Santo sobre a Igreja, sobre as famílias, sobre cada pessoa. Que o Espírito Santo renove a face da Terra a partir da experiência da Páscoa e faça também renascer em nós a coragem, a fé e a esperança”, conclui.




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